não gosto muito de copiar/colar mas tinha que faze-lo.......
_Alexandre Matias
Brasileiros começam a warchalkar redes wi-fi no país
Aberta a temporada de caça às bandas disponíveis no Brasil! Para que pagar pelo uso de internet se várias empresas deixam seus servidores wi-fi ligados direto, sem usar, durantes horas e horas? Para isso, ligue seu laptop com placa wireless, plugue uma antena (pode ser feita com aqueles tubos de batata Pringle’s) em algum ponto estratégico e saia por aí à procura de riscos de giz que dois brasileiros - um no Rio e o outro em São Paulo - estão marcando pelas ruas da maior cidade do Brasil.
O conceito de warchalk começou nos anos 20, quando os mendigos norte-americanos faziam marcas de giz para designar estabelecimentos que fossem receptivos às suas abordagens. Traduzindo: se numa casa o sujeito dava comida, eles marcavam um círculo na frente da calçada. Se na outra, o cara soltasse os cachorros, marcavam um “X”. E assim estabeleceram uma série de códigos velados (e riscados a giz) para aproveitar democratizar a sabedoria de rua. Assim, quando outro mendigo passasse, saberia se poderia bater na porta ou não.
O conceito de warchalking é exatamente o mesmo do tempo dos mendigos - a diferença é só o que os novos sinalizadores querem dizer com estes símbolos. Feitos também a giz, estas marcas apontam detalhes sobre rede de wireless fidelity na região e sua receptividade para wardrivers dispostos a viajar de graça na banda sem fio de empresas com falhas de segurança em suas redes.
Wardrive é como curiosos cibernéticos descobrem redes abertas pelas cidades. Em duas ou três pessoas, esses passeios de carro buscam pontos de acesso a redes com falhas de segurança. Encontrados, basta logar-se e navegar sem ser localizado. As marcas de giz mostram onde os pontos estão localizados na própria rua.
Dois brasileiros já estão “chalkando”, com o diz o dialeto, as ruas do Rio e de São Paulo e coordenam os primeiros passos deste movimento no Brasil em sites recém-lançados. O carioca Bruno (coordenador do Elevador.org) lançou o Warchalking Brasil e o paulista Pseudo_ toma conta do Warchalking BR, com Pluto, compadre e cúmplice de wardrive.
“Eu já tinha alguma experiência com redes wireless por conta do meu trabalho”, lembra Bruno C. “Depois fiquei conhecendo o movimento criado pelo Matt Jones, do warchalking.org. Fiz uns testes aqui no Rio e achei varias redes. Resolvi entao iniciar o movimento aqui no Brasil também”. Pseudo_, que prefere usar nick em vez do próprio nome (“faz diferença? Para nós, nossos nicks significam mais que nossos nomes”) também começou há pouco tempo: “Três meses, no conceito. Na prática, há três semanas”.
“Access point em Sampa é o que não falta”, explica Pseudo_,”se você quiser apenas surfar pela rede, procure locais próximos a aeroportos, hotéis, locais do gênero. Mas se você quiser informação, dados sigilosos, e se meter em algumas enrrascadas, vista a carapuça e tente a sorte na região da Paulista. É tudo questão de índole ou necessidade”.
O que acaba esbarrando na questão da legalidade do wardrive. “Warchalking em si não me parece ilegal”, teoriza Bruno, “só estamos marcando os locais onde existem as redes. Não é muito diferente de indicar com giz na parede onde existe um local para beber um bom café, por exemplo. A prática de utilizar essas redes pode ser considerada ilegal, mas até onde eu saiba não existe legislação específica sobre o assunto no país. É complicado, ainda mais porque quem faz isso fica virtualmente indetectável”.
“Conforme as coisas forem acontecendo, eu creio que os responsáveis pelas redes wi-fi vão começar a tomar mais cuidado, mas ainda assim vai ter gente correndo atrás de um jeito de burlar essa segurança. Mas uma coisa é certa: vai ter gente perdendo banda nessa história toda”, resume o carioca.
Pseudo_ completa: “Wi-Fi é apenas um meio de acesso, assim como linhas discadas, DSLs, etc. Apenas o meio difere. A ética vai de cada um, da consciência”. “Eu tenho alguns princípios, mas não posso responder por todo mundo”, emenda Bruno. “Quando eu encontro uma rede aberta, eu comunico o responsável, mas em 99% dos casos ninguém toma providência alguma. Mas de qualquer forma eu tento não explorar ninguém. :)”. “Já achamos falhas realmente comprometedoras, principalmente baseadas nas falta de configuração das redes”, explica Pseudo_.
Bruno tenta dimensionar o warchalking no Brasil. “O movimento ainda está pequeno, porque nem todo mundo consegue comprar um notebook com uma placa wireless. Espero que essa iniciativa incentive a pratica do warchalking. Tudo indica que o movimento vai crescer, conforme a cultura de redes sem fio crescer no pais”. “Tem mais uma galera que faz warchalking aqui no Brasil, mas não tem site, então a troca de info fica via email e ICQ mesmo :)”, acrescenta Pseudo_.
“Um dos diferencias do wi-fi é o fator aventura. Levanta da cadeira e sai andando, dirigindo, correndo, laptop e anteninha na mão e vai, vai, e descobre e corre e anota, e sobe na ponte que o sinal é melhor, e a gente vai andando anotando, logando...”, conta Pseudo_. Mas a emoção vem quando aparecem sinais feitos por outras pessoas: “Dá um certo orgulho tipo não-estamos-sozinhos”.
“Precisa ter curiosidade e ler bastante”, insiste Bruno. “O processo é relativamente simples e existem ferramentas para todas as plataformas. Eu estou escrevendo alguns tutoriais e disponibilizando no site, mas existe documentação à vontade na internet. O leigo só precisa ter vontade para por em prática. A idéia é ajudar aqueles que querem desfrutar dessa nova tecnologia. Um notebook, uma placa wireless, uma antena e boa vontade são o suficiente”.
O paulistano explica o processo de caça às ondas wi-fi. “Saímos sempre em três: um driver, um scanner e um photographer. De carro. E quando achamos algum ponto, paramos o carro e rodamos a pé em busca do melhor sinal. Gostamos de sair à tarde, beirando à noite”. Bruno fala sobre buscar ondas de carro: “Ajuda bastante, mas não é imprescindível. Eu faco as buscas da janela do prédio onde eu trabalho. Como é no Centro do Rio e é no 35º andar, fica muito mais fácil. Mas a área fica um pouco limitada. Porém, nada impede que a busca seja feita a pé, de bicicleta ou da janela de casa. Mas, definitivamente, um carro ajuda bastante”.
“Mas ainda estamos no submundo. As empresas que utilizam redes wireless não andam tendo muito cuidado com o quesito segurança, provavelmente por acreditarem que o caso não é grave ou que não existe perigo aqui. Existe sim, o caso definitivamente é grave”, explicita o carioca. “Quando a prática de wardriving e warchalking comecar a se disseminar é que as coisas vão ter mais repercussão. Ainda estamos engatinhando, mas esse assunto ainda vai dar o que falar”.