Tenho sonhos perversos.Tenho a sétima camada do inferno nos pensamentos mais rápidos.Tenho negras banhadas em óleo, com corpos reluzentes das chamas azuis de enxofre.Tenho os pulsos semicortados, pois sou um semi-suicida, semimorto. Ao deitar jatos de sêmen pulam da escuridão. E vejo bocas pequenas engolirem pequenos bocados.Pequenas garotas uivando como lobas em pequenas matilhas, com seus lindos pés perfumados de mirra, pisando em estrumes de bois e vacas, em pastos lamacentos. Nos meus sonhos (que me fazem suar como um condenado num calabouço quente cheio de piolhos), eu tenho correntes nas mãos. E numa hora sou um fantasma assustando estudantes que trepam em cemitérios, noutra um paria social que não pagou suas contas de jogo e afunda lentamente num rio inóspito e noutra um ferreiro fedorento e mal educado que chora ao imaginar que um dia já foi uma adorável criança de pele limpa,sem suas atuas cicatrizes de cortes e fogo.
As 6:00 o relógio desperta. E meu pé esquerdo é a primeira coisa a tocar o chão do novo dia que brota. Os olhos doem de sono e as quantidades de sonhos sonhados durante a noite podem ser contadas pelos inúmeros amassos do lençol. O travesseiro úmido de minha baba que escorreu por 6 horas. Meu símbolo: uma lagartixa branca sendo devorada por saúvas famintas.
Para Theda Bara com amor e carinho...