1,2,3 testando...1,2,3 testando...ouça isso
sábado, agosto 09, 2003
quarta-feira, agosto 06, 2003
Meu coração arde como jamais ardeu. A fúria drena meus músculos, o pouco de força que ainda há neles. Há sombras debaixo da cama que se modelam em faces irritantemente risonhas. Comecei pagar minhas dividas com Deus. Ele demorou a cobrar, teve toda a paciência que se possa imaginar. Mas o momento chegou. E eu fui pego de surpresa, rindo e beijando o céu. Agora olhe para mim: um quase moribundo em estado semi-catatonico. Pensando e imaginando coisas que adoecem minha alma fria. Alma fria e um coração em brasas. Enganou-se quem disse que o coração quebra. Arde em chamas azuis isso sim, igualzinho a chama azul dos enxofres amarelos da sétima camada do inferno. Do Dante que não perde a oportunidade de rasgar a pele fresca das crianças malcriadas. Não passo de uma canção triste do Yo La Tengo. Inocente e solitária. Com um coração incandescendo meu quarto escuro e mofado. Pela primeira vez tive vontade de ser um monge budista. Um peregrino, um velho-do-saco-de-beira-de-estrada, um profeta errante que se esconde nas cavernas. A caverna de Platão às avessas. Queria sair do mundo. Da vida das pessoas que são e sempre serão bem melhores que eu. Pois eu não tenho chance nenhuma num mundo tão competitivo, onde todos estão apenas para se igualar, equiparar-se, ler livros que não gosta só para não ficar para trás. Odeio Nietzsche, odeio Freud, odeio os grandes clássicos da literatura universal. Enquanto escrevo, esqueço da soda caustica nos ventrículos. Esqueço do meu DNA violento e invejoso. Quero que um dia, quando o Sol amanhecer no horizonte de chaminés desta cidade, numa manha fria como foi hoje, me lembrar do vestido frágil e lindamente transparente que eram teus olhos pueris: escuros como a noite sem estrelas. Imaginar um mergulho em câmera lenta, nas salgadas e cristalinas lagrimas dos teus olhos.
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Na verdade, estou perdido. E preciso de ajuda o mais rápido possível. Irei me guiar pelas Três Marias, o Cruzeiro do Sul, uma bússola de cortiça num pires e um mapa do Brasil desenhado por mim na 5ª serie. Alquimia infanto-juvenil para resolver problemas difíceis da puberdade tardia que assola meu corpo de 25 anos.
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O meu crânio é redondo, levemente achatado nos pólos. A epiderme capilar esta infestada de caspas gigantescas, verdadeiras placas tectônicas desse fungo branco maldito, que se não existisse, nos deixaria com uma cabeçorra.
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Uma gota de saliva caiu pegajosamente pelos cantos de minha boca enquanto eu dormia no ônibus, chegando a sonhar alguma coisa que me fazia chorar no final. Talvez fosse a constatação da morte de AI-CHAN, a melhor vídeo-girl da locadora paraíso.
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Tenho uma musica na mente que fala de pescoços e como me sinto bem em estar socados neles. Sentindo o calor, ouvindo o falar e o engolir a seco.
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Tenho saudades do meu cachorro. Do seu pelo branco que grudava em minha roupa. Da recepção que fazia com minha chegada. Da importância que esse animal irracional me deu enquanto viveu e que eu nunca irei saber como retribuir. Queria ser infantil o bastante para imaginar que ele vive num céu só para cachorros, com Pedigree Champ à vontade e uma dúzia de cadelinhas a entrete-lo.
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“Mãe, desculpe acorda-la há essa hora, mas venta tanto lá fora que o frio entra pelas frestas do telhado. Veja, meus dentes batem sem eu querer. Vou pegar esse edredom aqui na gaveta e um pouco do seu lexotan para tomar com leite quente. Mãe...a senhora ta me ouvindo?”.
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Ilhas são extensões de terra com águas ao redor
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Amor é um vírus que dilacera o coração e provoca comportamentos esquisitos como esses.
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Há uma menina fumando crack, numa casa suja e cheia de colchões com carrapatos, que quando entra na psicose depois de uma pipada, consegue quebrar as barreiras mentais e físicas para entrar nos meus sonhos vestida de Alice no pais das maravilhas e me beijar como ninguém nunca beijou, deixando bactérias falantes em meus dentes.
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Pega em meu pulso, oh Senhor, e me leva contigo. Mostra-me os confins do universo e como derramastes leite pela via-láctea. Ajude-me, pois tua criação parece levemente estranha para o convívio social. Eu te imploro...
terça-feira, agosto 05, 2003
Como somos ridículos por não termos conhecimento nem grana para fazermos o que quisermos com nossos olhos, ouvidos e bocas. Eis nos aqui, na terra da oportunidade fordesca e com seu contingente operário que adora tomar uma bear na praça as 03:00 da manha, depois do turno entre robôs, estofarias e sei-la-mais-o-q. Sem podermos evoluir, no casulo da ignorância, na redoma hipócrita que nossas vidas se transformaram, ávidos por mudanças, mas sem conseguir faze-las, estou aqui para anunciar algo que tente revolucionar nossa vida. Somos pobres, feios e sem cultura. Não pertencemos à elite cultural riovermelhiana nem a ufbaniana. Somos servos que não conseguem se revoltar. Escravos presos a tiras finas de papel crepom. Mas não conseguimos nos libertar. Somos fudidos cara...e nunca irão nos dar o devido valor.Tenho uma sugestão. Pulemos sozinhos. Façamos uma cultura própria a nossa imagem e semelhança, mesmos se parecermos deveras medíocres...Façamos nossa própria elite cultural. Temos programas de edição de imagens, som, vídeo, texto e publicações. Todos piratas. Os seriais roubados. Sim roubamos seriais dos programas da elite.Roubamos para comer um pouco do pão doce e macio que bocas bem escovadas engolem..Repito.Vamos fazer nossa própria cultura. Isso é uma ameaça. Pois estamos de saco cheio.Livre finalmente de pegar dois ônibus pra assistir a um show de algo que preste feito por algum grupo que não sabe o que é esperar o dia amanhecer e voltar pra nossas camas com ciscos do telhado sujo. Essa é nossa realidade. Estamos duros, sem grana pra comprar a cultura pra cuspir na estrutura...O que fazer então?...Vamos cuspir assim mesmo...Eu vos anuncio os pobres sem saliva, os super-homens, os maiores niilistas desta cidade insana.
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